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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Kali, a negra mãe do tempo



Por ti Devi, este universo é gerado e nosso mundo criado
Por ti Devi, ele é protegido e no fim do tempo consumido
Pois tu és a força criadora, o escudo protetor e o poder destruidor
Que segue a inexorável passagem do tempo.
Devi Mahatmya

Mirella Faur

Kali Ma, a deusa ancestral hindu é venerada na Índia como um arquétipo de Devi, a Grande Mãe, de quem tudo se origina e para quem todos devem retornar. Apesar de Kali ser na verdade uma deusa Tríplice: da criação, preservação e destruição, é este seu ultimo aspecto que é mais conhecido e – para nós ocidentais – o mais difícil de compreender e aceitar, por parecer primitivo e atemorizador. Representada como uma Deusa negra, nua, com os dentes à mostra e a língua de fora, adornada por uma guirlanda de caveiras e dançando vitoriosa sobre o cadáver de Shiva, o seu consorte, Kali desafia a imagem estereotipada da Mãe Divina bondosa e amorosa e desperta nossos medos atávicos da morte e do desconhecido.

No entanto, se procurarmos conhecer seus símbolos, ultrapassando a dicotomia conceitual do bem e do mal, poderemos paulatinamente perceber toda a beleza, plenitude e grandiosidade de Kali como sendo a própria Mãe do Tempo, cuja eterna dança entre a vida e a morte nos leva da destruição para a regeneração. Uma vez compreendida sua força e seu poder transformador, Kali nos oferecerá a libertação de todos os medos – inclusive perante a morte –, livrando-nos assim dos apegos, das fantasias e das ilusões.

Observar e acatar a impermanência da vida significa aprender a difícil lição do desapego e da renúncia. A entrega é difícil, presos como estamos nas teias das ilusões, nas amarras dos apegos, na trama das compensações, que nos fazem cair novamente nas armadilhas das sensações. Acreditamos que não podemos – e nem sabemos – como renunciar, nos desapegar, mudar, deixar ir, fluir, pois para renascer, primeiro precisamos morrer. Morrer para que o velho ego dê lugar para um novo Eu, descobrindo assim a nossa verdadeira identidade e assumindo a responsabilidade pelas conseqüências das nossas ações. Como estamos vivendo na ”era de Kali” (segundo a cosmologia hindu) é do seu poder que necessitamos para dançar a dança da transformação – nossa e do mundo ao nosso redor.

Para as mulheres modernas, Kali oferece um arquétipo poderoso para despertar a sua combatividade, aprender a delimitar e defender seus espaços, lutar por seus anseios e objetivos e vencer os demônios dos medos. Reconhecendo a sombra da Mãe Terrível – em si e nos outros – elas também vão saber quando precisam usar a espada da destruição ou o lótus da compaixão.

Descobrir, aceitar, liberar e transmutar a raiva, admitir e libertar-se dos medos e das culpas, identificar e rasgar os véus das ilusões, são etapas necessárias para encarar as sombras, ultrapassar as limitações, trocar de pele e assumir o verdadeiro poder. Não o poder sobre os outros, mas o poder interior que mobiliza a vontade, quebra a inércia e liberta dos grilhões. Somente assim a mulher renascerá para uma nova compreensão e vivência do Sagrado em si, nos outros, na vida e no eterno feminino.

Meditando a respeito da sua feroz apresentação, descobriremos que a sua cor preta evoca o mistério do útero cósmico primordial e do silêncio regenerador da terra. Sua nudez revela a beleza e a singeleza da verdade. Nas mãos ela segura a espada da sabedoria que destrói as ilusões, a tesoura que corta os apegos e as dependências, a cabeça decapitada que recomenda libertar-se do controle pela mente racional e os jogos egóicos, o lótus que promete a expansão da consciência e a realização espiritual. A guirlanda de caveiras é formada pelo colar das existências passadas, amarradas pelo cordão umbilical dos nascimentos futuros. Dançando freneticamente sobre o corpo morto do seu consorte, Kali o reanima, transformando o cadáver (Shava em sânscrito) em Shiva – o deus da dança e do poder fertilizador. As serpentes que envolvem seus braços simbolizam a força transformadora de Shakti, o princípio feminino da sexualidade e da vida, transmitido ao Shiva pela dança de Kali.

Aceitando a idéia da necessidade do processo de destruição para limpar o velho e abrir espaço para o novo, é fácil compreender os amplos atributos de Kali, seja como uma deusa guerreira que usa suas armas com coragem e sem pena, seja como uma deusa mãe criadora e preservadora da vida, bem como a negra ceifadora que acompanha o eterno e imutável processo de decadência, decomposição e regeneração.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Morte Orgásmica - Osh♥


No Oriente, nós observamos a experiência de morte das pessoas. O modo como morrem reflete toda a vida delas e o modo como viveram.

Eu só preciso assistir à sua morte para poder escrever toda a sua biografia — porque, nesse momento, toda a sua vida está condensada. Nesse único momento, com um lampejo, você mostra tudo.

Uma pessoa infeliz morrerá com os punhos apertados — ainda segurando e agarrando, ainda tentando não morrer e não relaxar.

Uma pessoa amorosa morrerá com as mãos abertas, compartilhando... compartilhando a sua morte assim como compartilhou a vida. Você pode ver tudo escrito no rosto da pessoa como se ela tivesse vivido a vida totalmente alerta e consciente.

Se ela viveu, então em seu rosto haverá um brilho luminoso; em torno do seu corpo haverá uma aura. Você chega perto dela e sente o silêncio — não tristeza, mas silêncio. Se a pessoa morreu feliz e em total orgasmo, acontece até de você de repente se sentir feliz perto dela.

Isso aconteceu na minha infância; uma pessoa muito virtuosa morreu na minha aldeia. Eu era meio apegado a ela. Tratava-se do sacerdote de um pequeno templo, um homem muito pobre. Sempre que eu passava — e eu costumava passar lá duas vezes por dia; quando estava indo para a escola, que era perto do templo, eu passava — ele me chamava e sempre me dava uma fruta ou um doce.

Quando ele morreu, eu fui a única criança a ir vê-lo. Toda a cidade se reuniu. De repente eu não pude acreditar no que aconteceu — eu comecei a rir! Meu pai estava presente e tentou me fazer parar, porque ficou constrangido. A morte não é hora de rir. Ele tentou tapar a minha boca. Disse-me várias vezes para ficar quieto.

Eu nunca mais senti essa vontade outra vez. Desde então eu nunca mais a senti; nunca antes havia sentido — rir tão alto, como se algo belo tivesse acontecido. Eu não consegui me segurar; eu ri alto.

Todo mundo ficou zangado e me mandaram para casa. Meu pai me disse: "Nunca mais deixarei que você participe de nenhuma ocasião séria! Por causa de você eu estava até ficando constrangido. Por que estava rindo? O que aconteceu? O que há na morte para rir? Todo mundo estava chorando e se lamentando e você estava rindo!"

Eu disse a ele: "Algo aconteceu... o velho liberou algo que foi extremamente bonito. Ele morreu uma morte orgásmica". Não foram exatamente com essas palavras, mas eu disse ao meu pai que eu sentia que o sacerdote estava muito feliz morrendo, muito alegre e queria que rissem com ele. Ele estava rindo, a energia dele estava rindo.

Pensaram que eu estava louco. Como um homem pode morrer rindo? Desde então eu tenho observado muitas mortes e nunca mais vi nenhuma morte desse tipo.

Quando morre, você libera a sua energia e, com ela, a experiência de toda a sua vida. Seja como for que você tenha sido — triste, feliz, amoroso, raivoso, apaixonado, compassivo, seja o que for que tenha sido — essa energia carrega as vibrações de toda a sua vida.

Sempre que um santo morre, próximo a ele há uma grande dádiva; só o fato de ser banhado por essa energia já é uma grande inspiração. Você é transportado para uma dimensão completamente diferente. Você ficará entorpecido por essa energia e se sentirá inebriado.

A morte pode ser uma completa realização, mas isso só será possível se a vida foi vivida.

Osho, em "O Livro do Viver e do Morrer: Celebre a Vida e Também a Morte"

Fonte: palavrasdeosho.com

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O nome dela é Tula (de Israel), uma das vozes mais lindas q já ouvi.

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"A iluminação acontece quando acontece: não podemos ordená-la, não podemos provocá-la... ... Ela vem quando vem. O que quer que façamos pode apenas preparar-nos para recebê-la, para perceber quando ela chega, para reconhecê-la quando se manifesta." Osho

"Primeiro Seja - Relacionar-se é uma das maiores coisas da vida: é amar, compartilhar. Para amar é preciso transbordar de amor e para compartilhar é preciso ter (amor). Quem se relaciona respeita e não possui. A liberdade do outro não é invadida, ele permanece independente. Possuir é destruir todas as possibilidades de se relacionar. Relacionar é um processo. Relacionamento é diferente de relacionar-se: é completo, fixo, morto. Antes devemos nos relacionar conosco mesmos e escutar o coração para a vida ir além do intelecto, da lógica, da dialética e das discriminações. É bom evitar substantivos e enfatizar os verbos. A vida é feita de verbos: amar, cantar, dançar, relacionar, viver." Osho

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